O presidente dos EUA, Barack Obama, reeleito após vencer o republicano
Mitt Romney na eleição da véspera, disse nesta quarta-feira (7) que,
para os Estados Unidos, "o melhor ainda está por vir" e que ele volta à
Casa Branca "mais determinado e inspirado" para o segundo mandato.
Obama, que ganhou mais quatro anos para continuar implantando seu
programa de mudanças, teve dificuldades para iniciar seu discurso. A
plateia gritava para o presidente: "Mais quatro anos! Mais quatro anos".
Obama disse que parabenizou o candidato republicano, Mitt Romney, e seu candidato a vice, Paul Ryan, pela campanha.
O democrata, falando a uma multidão, fez uma declaração de amor à
primeira-dama, Michelle, e às filhas, Sasha e Malia, citou o "primeiro
cachorro", Bo, e também agradeceu a sua equipe de campanha.
Obama afirmou que nunca teve tantas esperanças sobre o futuro do país.
"Apesar de todas as nossas diferenças, muitos compartilham esperanças para o futuro dos Estados Unidos", disse.
O presidente celebrou o processo democrático no país e disse que quer
"trabalhar com líderes dos dois partidos", pois há muito trabalho a
fazer.
Ele citou a necessidade de reduzir o déficit, reformar o código
tributário, aprovar a reforma da imigração e diminuir a dependência do
país do petróleo estrangeiro.
O presidente reeleito também disse que quer conversar com o derrotado
Romney. "Podemos trabalhar juntos para levar o país adiante", disse.
Avanços
Obama apostou nos avanços conseguidos em seu governo para garantir um
segundo mandato. "Nós sabemos que a mudança não viria de maneira rápida
ou fácil. Nunca vem", disse ele em 2011 ao confirmar ser candidato à
reeleição.
Os slogans sobre "esperança" e "mudança", usados quando o candidato se
apresentou como um líder visionário para mudar o destino dos Estados
Unidos, sumiram.
Sob o lema "América avança", no entanto, a atual campanha de Obama
buscou ecoar o mesmo entusiasmo do pleito anterior, afirmando que o país
"precisa proteger o progresso conquistado".
Mas o cenário atual é bem diferente. Apesar de muitos problemas do país
terem começado antes de sua presidência, Obama tornou-se face da lenta
recuperação econômica da nação. Durante a campanha, um raio de esperança
surgiu em forma de número: o desemprego caiu para menos de 8%, o menor
índice desde janeiro de 2009.
Nos quase quatro anos de governo, Obama não conseguiu cumprir grandes
promessas da campanha anterior, como o fechamento da polêmica prisão de
Guantánamo, em Cuba, onde estão suspeitos de terrorismo. A reforma no
sistema de saúde americano ainda gera divisões.
O presidente também é questionado por republicanos descontentes com o
posicionamento dos Estados Unidos diante da crise na Líbia – onde quatro
funcionários de um consulado americano foram mortos em ataque
terrorista – e nos países do Oriente Médio.
Em contrapartida, Obama tentou colocar em prática sua luta por
mudanças: além da reforma do sistema de saúde, promoveu mudanças nas
regras para o sistema financeiro, ordenou o fim da restrição que
obrigava homossexuais a esconder sua orientação sexual nas Forças
Armadas, estimulou o relaxamento de leis para jovens imigrantes ilegais,
anunciou a retirada de tropas do Iraque e ordenou a ação que resultou
na morte do líder da rede terrorista da Al-Qaeda, Osama bin Laden.
Congresso dividido
Apesar da reeleição, Obama deve continuar enfrentando problemas para
aprovar suas medidas no Congresso, que manteve sua divisão:
Câmara controlada pelos republicanos, e Senado, pelos democratas.
Isso dificulta o trabalho do presidente – ele precisa usar sua base nas
casas para que elas proponham e aprovem as leis e reformas de seu
interesse.
Na eleição de 2008, os democratas também ganharam a maioria no Senado e
na Câmara de Representantes. Nas eleições legislativas de 2010,
entretanto, os republicanos recuperaram a maioria entre os deputados –
atualmente, são 241 republicanos e 194 democratas.